Arte Moderna: Mas o que é isso?

O termo arte moderna engloba as vanguardas européias do início do século XX:

Cubismoconstrutivismosurrealismodadaísmosuprematismoneoplasticismofuturismo etc. –  acompanham o deslocamento do eixo da produção artística de Paris para Nova York, após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), com o expressionismo abstrato de Arshile Gorky (1904 – 1948) e Jackson Pollock (1912 – 1956). Na Europa da década de 1950, as reverberações dessa produção norte-americana se fazem notar nas diversas experiências da tachismo. As produções artísticas das décadas de 1960 e 1970, segundo grande parcela da crítica, obrigam a fixação de novos parâmetros analíticos, distantes do vocabulário e pauta modernistas, o que talvez indique um limite entre o moderno e o contemporâneo. No Brasil, a arte moderna – modernista – tem como marco simbólico a produção realizada sob a égide da Semana de Arte Moderna de 1922. Já existe na crítica de arte brasileira uma considerável produção que discute a pertinência da Semana de Arte Moderna de 1922 como divisor de águas.

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A RUPTURA COM O CLÁSSICO

O rompimento com os temas clássicos vem acompanhado na arte moderna pela superação das tentativas de representar ilusionisticamente um espaço tridimensional sobre um suporte plano. A consciência da tela plana, de seus limites e rendimentos inaugura o espaço moderno na pintura, verificado inicialmente com a obra de Éduard Manet (1832 – 1883). Segundo o crítico norte-americano Clement Greenberg, “as telas de Manet tornaram-se as primeiras pinturas modernistas em virtude da franqueza com a qual elas declaravam as superfícies planas sob as quais eram pintadas”. As pinturas de Manet, na década de 1860, lidam com vários temas relacionados à visão baudelairiana de modernidade e aos tipos da Paris moderna: boêmios, ciganos, burgueses empobrecidos etc. Além disso, obras como Dejeuner sur L´Herbe[Piquenique sobre a relva] (1863) desconcertam não apenas pelo tema (uma mulher nua, num bosque, conversa com dois homens vestidos), mas também pela composição formal: as cores planas sem claro-escuro nem relevos; a luz que não tem a função de destacar ou modelar as figuras; a indistinção entre os corpos e o espaço num só contexto. As pesquisas de Manet são referências para o impressionismo de Claude Monet (1840 – 1926), Pierre Auguste Renoir (1841 – 1919), Edgar Degas (1834 – 1917), Camille Pissarro (1831 – 1903), Paul Cézanne (1839 – 1906), entre muitos outros. A preferência pelo registro da experiência contemporânea, a observação da natureza com base em impressões pessoais e sensações visuais imediatas, a suspensão dos contornos e dos claro-escuros em prol de pinceladas fragmentadas e justapostas, o aproveitamento máximo da luminosidade e uso de cores complementares favorecidos pela pintura ao ar livre constituem os elementos centrais de uma pauta impressionista mais ampla explorada em distintas dicções. Um diálogo crítico com o impressionismo estabelece-se, na França, com o fauvismo de André Derain (1880 – 1954) e Henri Matisse (1869 – 1954); e, na Alemanha, com o expressionismo de Ernst Ludwig Kirchner (1880 – 1938), Emil Nolde (1867 – 1956) e Ernst Barlach (1870 – 1938).

A industrialização em curso e as novas tecnologias, colocam em crise o artesanato, fazendo do artista um intelectual apartado da produção. “Com a industrialização, esse sistema entra em crise”, afirma o historiador italiano Giulio Carlo Argan, “e a arte moderna é a própria história dessa crise.”

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fonte:ARTE Moderna. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://www.enciclopediaitaucultural.org.br/termo355/arte-moderna>